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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Exercícios fazem bem

Sempre ouvimos dizer que exercício físico “faz bem”.
Na maioria das vezes trata-se de uma recomendação popular, muito mais popularmente sabida do que cientificamente comprovada. A primeira questão é saber o que, exatamente, significa esse “faz bem”? Bem para que e como?
Em psiquiatria, também é voz corrente que os exercícios “fazem bem”, mas poderíamos acrescentar à lista de benefícios popularmente estabelecidos, e com os mesmos critérios intuitivos, também o guaraná em pó, brócolis, clorofila, etc...
Mas os exercícios físicos têm um efeito fascinante na população geral.
Em 2003 foi realizada uma pesquisa com estudantes universitários do campus da UNESP de Bauru, através de um website de saúde. Entre os hábitos de vida considerados mais prejudiciais foram citados, em ordem decrescente a má alimentação, uso de bebidas alcoólicas, sedentarismo, dormir mal e fumar. Por outro lado, como hábitos saudáveis, a prática regular de exercícios físicos aparece em primeiro lugar, considerado por 42% dos estudantes.
Apesar da expressiva quantidade das pessoas pesquisadas que acha os exercícios o hábito mais salutar de vida, 40% delas pratica exercícios menos de 3 vezes por semana, quase 40% mais de três vezes por semana e 20% nunca pratica nada.
De fato, a prática de exercícios faz bem, no entanto, para não ficarmos apenas no popularmente sabido, vamos ver mais academicamente os efeitos dos exercícios físicos na saúde emocional.
Já foi visto na página Ansiedade e Esportes, algo sobre a influência da ansiedade na performance dos esportes ou esportistas.
Agora, vejamos a influência dos esportes e exercícios em geral (atividade neuro-muscular) sobre as alterações psico-emocionais e vice-versa, ou seja, as alterações sobre o sistema neuro-muscular causadas pelas emoções. Tecnicamente o mais correto é falar em aspectos psicobiológicos dos exercícios físicos. O termo psicobiológico diz respeito aos aspectos emocionais e orgânicos.
Foi a partir da década de 70 que se verificam os primeiros trabalhos científicos relacionando o exercício aeróbio e as suas repercussões sobre o humor e sobre a ansiedade.
Dependência Química, Alcoolismo e Exercícios
Existem vários estudos sobre dependência e uso de drogas no Brasil e uma dessas pesquisas foi realizada pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), entidade ligada à Escola Paulista de Medicina.
Segundo a pesquisa do Cebrid, a maconha é consumida por quase 7% da população e a cocaína é usada por cerca de 2% dos brasileiros. Contudo, ao lado dessas substâncias, existe o gravíssimo problema das drogas legalizadas, ou seja, do álcool, tabaco, ansiolíticos e anfetaminas ou inibidores do apetite.
O álcool, por exemplo, de acordo com o Cebrid, em pesquisa de 2004, é consumido por quase 70% dos brasileiros entre 12 e 65 anos de idade. Teoricamente, o uso e abuso dessas substâncias podem levar à dependência química.
Um outro levantamento sobre o uso de drogas psicotrópicas, realizado em 2001 pela Universidade Federal de São Paulo (1º. Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas) mostrou que, no caso do cigarro, de 25% a 35% dos adultos dependem da nicotina. A prevalência da dependência de álcool no Brasil é de 17,1% entre os homens e de 5,7% entre as mulheres, segundo esse estudo.
Quase 20% dos entrevistados já haviam experimentado alguma droga que não álcool ou tabaco e, entre elas, destacaram-se a maconha, com 6,9% de prevalência, 5,8% para os solventes e 2,3% para a cocaína. Nos últimos 10 anos, houve uma mudança no consumo da cocaína, diminuiu o número de usuários da cocaína injetável e aumentou a quantidade de usuários do crack, que é uma forma mais agressiva ao sistema nervoso central da cocaína. Além disso, o crack gera uma dependência grave, mais rapidamente e de difícil tratamento.
O tratamento médico da dependência química é complicado, normalmente multidisciplinar e individualizado caso-a-caso. Por se tratar de uma doença crônica, os resultados do tratamento são semelhantes aos de outras doenças crônicas, como por exemplo, a asma, hipertensão, diabetes e outras.
Além da conduta médica, outras devem ser adotadas, como a prática de exercícios físicos, por exemplo. Mesmo sem um embasamento cientificamente estruturado, o condicionamento físico do dependente químico e do alcoolista sempre objetivou a eliminação das toxinas, a busca de um melhor relacionamento social, o estímulo para o lazer através da caminhadas e jogos, o resgate da auto-estima e a melhoria das condições músculo-esqueléticas e cardiocirculatórias.
De modo geral, após o tratamento da dependência, as recaídas são freqüentes. Nos primeiros seis meses 50% voltam ao vício e nos primeiro ano 90%.
Mas, essas altas taxas de recaída da dependência não invalidam as iniciativas de tratamento e um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento é a motivação e a conscientização da natureza patológica da dependência.
Os Transtornos de Humor-Ansiedade e Exercício Físico.
Tem sido preconizado que a prática sistemática de exercício físico está associada a menor ocorrência de sintomas depressivos ou de ansiedade em praticantes freqüentes e, mesmo em pessoas consideradas depressivas, a adoção de programas de exercício físico tem se mostrado eficaz na redução dos sintomas (Pitts, 1967; Grosz, 1972).
Não basta, em medicina, acreditar que exercício físico é bom para Depressão, Ansiedade, Pânico, etc. Há necessidade de se determinar como e porque ocorre melhora dos transtornos de humor, estudar se esses exercícios devem ser aeróbicos ou de força, se a melhora é temporária e aguda ou é mais duradoura e depois de um programa de treinamento.
De certo e consensual até agora é que, de fato, a prática de exercícios reduz os sintomas nos transtornos de humor, mas não há consenso entre os pesquisadores de como isso ocorre.
Marco Túlio de Mello e cols fazem uma revisão sobre o assunto. Citam os experimentos de Morgan, que avaliou 15 homens adultos depois de correrem por 15 minutos. A ansiedade diminuía abaixo da linha basal imediatamente após a corrida e permanecia diminuída por 20 minutos. Seis homens com ansiedade neurótica e seis normais foram testados, antes e durante o teste completo, em esteira ergométrica até à exaustão, e os resultados demonstraram uma redução nos escores de ansiedade. As pesquisas fazem distinção entre a Ansiedade Traço (de personalidade) e a Ansiedade Circunstancial.
Os trabalhos de O Connor et al, demonstraram que as respostas de ansiedade ao exercício máximo, além de dependerem do nível de ansiedade que a pessoa possuía antes de começar o exercício, o nível da ansiedade só é diminuído depois de 10-15 minutos que o exercício terminou.
Exercícios Físicos associados a sintomas Depressivos
A eficácia do exercício físico associado a sintomas depressivos também tem sido relatada em relação a estados depressivos. Resultados têm demonstrado que o exercício aeróbio melhora a aptidão e diminui os sintomas depressivos, principalmente se são aplicados programas prolongados e regulares, como por exemplo, durante 12 semanas. Esta melhora pode ser resultado tanto de mecanismos fisiológicos, quanto comportamentais associados com exercício aeróbio.
Interessante é o estudo de Lopes (2001), também citado Marco Túlio de Mello e cols, que observou os efeitos de oito semanas de exercício físico aeróbio nos níveis de serotonina e depressão em mulheres entre 50 e 72 anos. Os resultados indicaram que a relação entre exercício físico e mobilização de gordura corporal proporciona uma melhora nos estados de humor.
Florindo Stella e cols (2002) têm um trabalho interessante sobre a utilização de exercícios físicos no tratamento da depressão em idosos. Eles citam Cooper (1982), para o qual o exercício físico, em particular o chamado aeróbio, realizado com intensidade moderada e longa duração (a partir de 30 minutos), propicia alívio do estresse ou tensão devido ao aumento da taxa de um conjunto de hormônios denominados endorfinas. Essas endorfinas são substâncias elaboradas pelo próprio Sistema Nervoso Central e agem aliviando o impacto estressor do ambiente. Por causa disso as endorfinas podem prevenir ou reduzir transtornos depressivos, conforme se comprova por vários estudos.
Ainda referido por Stella, Blumenthal et al. (1999) têm um interessante trabalho com 156 idosos, todos portadores de desordem depressiva (comprovada por escores maiores ou iguais a 13 na escala de Hamilton), e com duração de 4 meses. Esses idosos foram divididos em três grupos:
Um grupo tratado com medicamento (GM), no caso o antidepressivo cloridrato de sertralina (inibidor seletivo de recaptura de serotonina); um grupo tratado com exercício (GE) na intensidade de 70 a 85% da freqüência cardíaca de reserva e com duração de 45 minutos (10 minutos de aquecimento; 30 minutos pedalando ou andando forçadamente ou correndo levemente; 5 minutos de volta à calma), com 3 sessões semanais, e um terceiro grupo combinado (GC), tratado com medicamento associado ao exercício.
Depois de 16 semanas, os três grupos apresentaram resultados semelhantes, com redução dos níveis de depressão. Apesar dos pacientes com medicamento terem mostrado uma resposta inicial mais rápida, os autores concluíram que a atividade física regular deve ser considerada uma alternativa não-farmacológica para o tratamento do transtorno depressivo em idosos. Este mesmo GE foi acompanhado durante seis meses seguintes, concluindo-se, ao final, que foi o grupo com menores taxas de recaída, menores inclusive que as pessoas do GM.
Essas pesquisas mostram que a atividade física regular deve ser considerada como uma alternativa não-farmacológica do tratamento do transtorno depressivo.
Musculação e Hormônios
O treinamento de força (musculação) que objetiva o desenvolvimento de força e massa muscular parece influir na secreção de testosterona e hormônio do crescimento.
Segundo Marcelo Porto, diversos estudos têm sido desenvolvidos com o intuito de esclarecer os mecanismos envolvidos na estimulação hormonal através do treinamento de musculação.
As pesquisas mostram que alguns fatores, tais como intensidade dos exercícios, volume da sessão de treinamento, quantidade de massa muscular envolvida nos exercícios, intervalos de recuperação entre as séries de exercícios, nível de treinamento e os períodos de descanso entre as sessões, são os principais determinantes das respostas hormonais.
Alguns pesquisadores têm demonstrado significativa participação dos hormônios anabólicos, como é o caso da testosterona e do hormônio do crescimento (GH), nas alterações metabólicas proporcionadas pelos exercícios de alta intensidade e curta duração, como os exercícios de musculação.
O nível de testosterona aumenta imediatamente após o término do exercício de musculação e aumenta proporcionalmente à intensidade dos exercícios, ou seja, do número de repetições máximas, quantidades de séries, quantidade da massa muscular recrutada e volume total de trabalho.
Outro fator de influência no aumento da testosterona é a quantidade de massa muscular envolvida no treinamento, de forma que os exercícios que envolvem grandes massas musculares elevam mais significativamente os níveis da testosterona, em comparação com exercícios que envolvem pequenos grupos musculares.
Tais estudos, citado por Marcelo Porto, enfatizam que a quantidade de trabalho por exercício é um fator significante na determinação das elevações dos níveis de testosterona, porém, alertam que o volume excessivo de treinamento pode exercer efeito negativo sobre a secreção desse hormônio. Isso ocorre quando há um desequilíbrio entre o treinamento e o período de recuperação, desencadeando uma situação conhecida como overtraining.
Dessa forma, para que haja aumento nos níveis da testosterona, o mais indicado seriam os treinamentos intensos, com curtos períodos de trabalho e envolvendo grandes massas musculares. De um modo geral esse também é o comportamento dos níveis de hormônio do crescimento em relação ao exercício físico, exceto na situação de exercícios muito pesados, os quais parece não diminuir o nível do hormônio do crescimento, como ocorre com a testosterona.
Incluído em 10/07/2006.

Para referir: Ballone GJ - Exercícios fazem bem... in. PsiqWeb, internet - disponível na World Wide Web em: http://www.psiqweb.med.br/, 2006
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Um comentário:

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