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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ansiedade e Performance

O esporte, em especial o esporte competitivo, é sinônimo de situações de avaliação comparativa (pelos outros e por si mesmo), de objetivos competitivos a alcançar, de desafios, de rivalidades, de expectativa, e de uma série de outros fatores associados, como por exemplo, auto-estima, prestígio, dinheiro, reconhecimento, admiração social, etc.
As manifestações ou os estados emocionais têm-se revelado como fatores importantes na prestação desportiva.
Martens (1977) apresenta o conceito de "traço de ansiedade em competição” como representativa das diferenças individuais na percepção da competição enquanto considerada como uma ameaça, e salienta ainda a diferença entre o "traço geral de ansiedade" e o "traço de ansiedade para situações específicas".
Orlick e Botteril (1975) afirmam que a preocupação com a competição e o fato de o atleta ir ser avaliado pode influir negativamente e provocar o abandono ou a participação reduzida. Contudo, alguns atletas (Gould e al. 1983) relatam que as suas preocupações com a competição não afetam a sua "performance" e alguns sentem que a sua prestação desportiva é melhor quando se sentem ansiosos. As conseqüências das manifestações de ansiedade em competição dependem, por certo, da freqüência, da duração e da intensidade com que elas se apresentam.
Landers (1982) estuda a ansiedade associada à atenção e sugere que a atenção associada a um baixo limiar de ansiedade (a palavra é utilizada com o significado de "sensação de alerta") não é capaz de identificar estímulos relevantes, e considera ainda que uma ansiedade moderada aumente a seletividade perceptiva, eliminando dados irrelevantes para a tarefa.
O mesmo autor afirma, também, que cada modalidade desportiva tem características e exigências próprias, que, para além dos aspectos físicos, técnicos e tácticos, exigem determinadas características psicológicas.
Nideffer (1976) veio na mesma linha de investigação, acentuar a importância da atenção e dos estilos perceptivos nas várias modalidades desportivas. Uma revisão de toda a literatura sobre este tema e devida a Martens, Vealey & Burton (1990) concluía que 89% dos estudos efetuados mostravam haver correlações significativas entre características psicológicas do atleta e a sua prestação desportiva.
Devido à existência de diversas interpretações esteóticas não se encontra uma definição formal para a palavra “ansiedade”.
A Ansiedade é medicamente falando, uma atitude fisiológica (normal) responsável pela adaptação do organismo às situações novas, onde se encaixam bem as situações do esporte competitivo. As mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, ao tentarem nos agredir e assim por diante, são as mesmas quando nos encontramos diante de um atleta adversário
Diferentes vocábulos como stress, angústia, preocupação, etc., são habitualmente aplicados com um significado equivalente, embora autores como Martens, Vealey e Burton, (1990) definam estado de ansiedade “como um estado emocional transitório, caracterizado por sentimentos de apreensão e tensão associados à ativação do organismo”Embora seja, essencialmente, desde os anos 80 que grande número de psicólogos do desporto (Martens, 1977; Klavora,1978; Magill,1982: Landers,1982; Pargman,1993; e muitos outros) começaram a debruçar-se sobre o fenômeno da relação da ansiedade e do estado de alerta com a performance desportiva, Gould e Krane (1992) citam Coleman Grifith como sendo o pai da psicologia norte americana, pois já em 1932 aconselhava estratégias para ajudar os atletas a ultrapassar a ansiedade e o medo.
Com base no fato da tanto ansiedade somática como cognitiva afetarem a performance desportiva, diversas teorias têm sido propostas para explicar a relação entre a ansiedade e a performance. As mais conhecidas serão, talvez, a Teoria “Drive”, a Hipótese do “U Invertido”, as Teorias de “IZOF”, da “Catástrofe”, “Inversão”, a “Multidimensional da Ansiedade” e a Teoria do “Traço e Estado de Ansiedade”.
Estudos numerosos têm comprovado a hipótese do “U Invertido”, que defende que o aumento do “arousal” corresponde a uma focagem da atenção, que gradualmente aumenta até um nível ótimo, correspondente à melhor performance, para, depois de ultrapassado esse nível começar a causar deterioramento da performance por a atenção estar demasiada focada e, desse modo, falhar estímulos relevantes para a tarefa “Arousal” e performance.


Zaichkowsky (1993), por sua vez, parte do princípio que este estado global do organismo pode representar uma tripla ação: a ativação fisiológica, a resposta comportamental e a resposta emocional.
Diante de situações de competição a performance física acaba fazendo coisas extraordinárias, coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações não-competitivas. A maior parte desta performance melhorada deve-se à ansiedade, porém, embora a ansiedade favoreça a performance e a adaptação, ela o faz somente até certo ponto, até que nosso organismo atinja um máximo de eficiência. A partir de um ponto excedente a ansiedade, ao invés de contribuir para a adaptação, concorrerá exatamente para o contrário, ou seja, para a falência da capacidade adaptativa. Nesse ponto crítico, onde a ansiedade foi tanta que já não favorece a adaptação, ocorre o esgotamento da capacidade adaptativa.

Vejamos ao lado, a ilustração de um gráfico ilustrativo, onde teríamos um aumento da adaptação proporcional ao aumento da ansiedade até um ponto máximo, com plena capacidade adaptativa. A partir desse ponto, embora a ansiedade continue aumentando, o desempenho ou adaptação cai vertiginosamente, assim sendo, ao invés da ansiedade melhorar a performance, acaba por comprometê-la.
Torna-se claro que os diferentes tipos de ativação devem ser equacionados de acordo com os requisitos da tarefa e do enquadramento. Também diversas formas de abordagem podem ser equacionadas, para medir a ansiedade, considerando que as diversas manifestações podem traduzir-se através de: respostas fisiológicas do organismo, comportamentos observáveis do indivíduo e detecção das situações que o indivíduo considera psicologicamente perturbadoras, através de processos de auto-avaliação. Nesta conformidade as duas principais formas de abordagem da avaliação da ansiedade podem ser feitas através das ciências biomédicas e das ciências do comportamento.
Hoje, cada vez mais, as perspectivas de desenvolvimento apontam para abordagens multidimensionais. Krane (1992) sugere que as investigações devem fazer uma avaliação paralela da ansiedade somática e cognitiva em vários momentos diferentes.

Veja o complemento da matéria em:
Controle da ansiedade
Por Eliane Jany Barbanti

BibliografiaGould, D., Horn, T., e Spreemann, J. (1983). Perceived Anxiety of Elite Junior Wrestlers. Journal of Sport Psychology, 5 , 58-71.
Krane, V. Gould, D. The arousal-athletic performance relationship: Current status and future directions Advances in sport psychology (1992) Horn, Thelma S. Champaign, IL: Human Kinetics Publishers.
Landers, D.M. (1982). Arousal, attention and skilled performance. Further Considerations. Quest, 33 (2), 271-283
Magill, R.A. (1982). Motor Learning Concepts and Applicatins (3rd ed.) Dubuque, Iowa: WCB. Wm.C.Brown Company Publishers.
Martens, R. (1977). Sport Competion Anxiety Test. Champaign, Illinois: Human Kinetics Publishers
Martens, R., Vealey, R. e Burton, D. (1990). Competitive Anxiety in Sport. Champaign, Illinois: Human Kinetics Publishers.
Nideffer, R.M. (1976). Test of Attentional and Interpersonal Style. Journal of Personality and Social Psychology, 34(3), 394-404.
Orlick, T. e Botteril, C. (1975). Every kid can win. Chicago: Nelson-Hall. Wrestlers. Journal of Sport Psychology, 5, 58-71. Orlick, T. e Botteril, C. (1975). Every kid can win. Chicago: Nelson-Hall.
Pargman, D. (1993). Individual differences: cognitive and perceptual styles. In Robert N.Singer, Milledge Murphey e L.Keith Tennant (Eds.), Handbook of Research in sport Psychology (pp.379-401). New York: MacMillan Publishing Company.
Zaichkowsky L, Takenaka K – Optimizing arousal level. In. Singer RN, Murphey M, Tennant LK eds. Handbook of Research on Sport Psichology. New York, MacMillan, 1993.

2 comentários:

Ana disse...

Me encanta leerte tus escritos me calman el alma te deseo un maravilloso fin de semana te mando un abrazo de energía de luz positiva con cariño

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Eliane Jany Barbanti disse...

Que linda Ana, adoro sua participação tb. Você é muito bem vinda ao NUPSEA Mminha querida.
Beijo no coração.
Eliane

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